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A CONDENAÇÃO DE LULA E AS PERSPECTIVAS PARA 2018

Professor Jonas Duarte

Por Jonas Duarte

Michel Temer não caiu, provavelmente não cairá, contrariando expectativas do após denuncias dos Batistas com malas, vídeos e áudios como provas ostensivas do malfeito da quadrilha que usurpou o poder em 2016.

Sergio Moro, atendendo demanda do Ministério Público Federal condenou Lula, sem provas. E pior: com provas irrefutáveis da inocência do ex-presidente.

Por que? A quem serve Moro e a horda do Ministério Público que perseguem Lula e o PT?

Seria ingênuo achar que se trata de uma perseguição política APENAS em função dos vínculos de classe do ex-presidente.

Na sentença de Sergio Moro, a ser confirmada no TRF 4 está implícito o pleito de 2018.

O Juiz de Curitiba é Tucano. De plumagem, bico e consangüinidade.

A Polícia Federal, o Ministério Público também.

A formação político-ideológica desse pessoal já os coloca no caminho natural do ódio ao PT e a toda esquerda. Já são formados para serem politicamente de direita, antipetistas, antipopulares, anticomunistas então…. Na realidade, suas posições político-ideológicas conservadoras vêm de berço. Ou do sobrenome; da condição social. A mídia e toda parafernália da conjuntura recente só deram um empurrãozinho.

O Judiciário brasileiro desde sempre foi o espaço de poder intocável dos poderosos e para os poderosos. Contra o povo pobre, mestiço, negro. É de fato a confirmação do caráter do Estado. Não precisa das teses de Marx, Lênin, Rousseau, Locke ou Noberto Bobbio para compreender o que é o Estado Brasileiro. Na História do Brasil não cabe dúvidas: o braço jurídico-policial do Estado oligárquico, conservador, autoritário, discricionário de traços escravocratas não poderia ser diferente. É contra o povo e a tudo que tenha seu perfume.

Nos limites e essência da frágil e superficial democracia brasileira é esse o papel histórico do judiciário e da polícia. Tomar sempre partido dos ricos e poderosos.

Detalhe: a Ditadura Militar escancarou essa situação. O Golpe de 2016 também.

Sérgio Moro e o TRF 4 são, portanto, árbitros da peleja política atual, com um instrumento jurídico em mãos para marcar seus tentos e intentos. Esqueçam o que diz a Lei. As regras do jogo obedecem outras lógicas, outros interesses.

Depois da destituição de Dilma Rousseff pelo parlamento sob o silêncio e conivência do judiciário, o próximo passo, a “tacada” final do golpe, patrocinado pelos entreguistas e escravocratas de sempre é tirar Lula do pleito de 2018.

Creio que não há alguém nesse país que ainda não tenha percebido ser esse o intento dos poderosos que sempre dominaram a economia, a política e a “justiça” nesse país. Lá fora ninguém tem dúvidas disso.

A decisão sobre a condenação de Lula já foi tomada desde antes do ex-presidente se tornar réu. Ademais foi formalizar o processo. O TRF 4 em Porto Alegre PRETENDE apenas cumprir a segunda etapa exigida.

Esses são os planos do judiciário brasileiro a serviço do golpe, que tem seus patrocinadores o capital monopolista e financeiro com seus asseclas de sempre, históricos entreguistas escravocratas. No plano político seus ideólogos estão amontoados no PSDB e DEM, contando com o apoio de uma “rafaméia” de políticos fisiológicos que mais do que por ideologias são movidos por interesses pessoais, particulares que vão desde o clientelismo eleitoreiro, passando por coadjuvarem governos de coalizão, até a corrupção desvairada postas às claras na atual tempestade de denúncias. Essa turma, liderada pelo velho PMDB, está no governo desde sempre. São os velhos caciques “Donos do Poder”, na expressão de Raimundo Faoro para denunciar o patrimonialismo do Estado brasileiro. Como coadjuvantes dão a governabilidade “necessária” e se locupletam, se lambuzam na corrupção.

Então. O PSDB organizou politicamente o golpe. Tem o poder midiático a seu dispor. Ou talvez, o poder midiático tenha o PSDB a sua disposição. São as mesmas coisas.

Para isso ofereceu de bandeja o governo a “Rafaméia”… Agora não sabe como agir. Fisiologistas engolem o governo e fascistas crescem à sua sombra, turbinado pelos nutrientes oferecidos pelos tucanos, via empresas de comunicação e gente de todo naipe que semearam e disseminaram o ódio contra qualquer coisa que se mexesse e exalassem odores de esquerda.

Como não há resistência, luta popular, gente nas ruas, mar de protestos, o golpe avança. Como em 1964, sem obstáculos. O passo seguinte mais importante, repito, é retirar Lula das disputas eleitorais em 2018.

Mas eles têm problemas em sua execução.

Aliás, eles só têm um problema à consolidação final do golpe: LULA. Ou melhor, o prestígio popular, pessoal de Lula.

À medida que o povo percebe o projeto golpista, que o entende, demonstra sua solidariedade a Lula, manifestando a disposição de votar nele em 2018. É o que mostram as pesquisas eleitorais mais recentes.

Na mesma direção aumenta o descrédito no juiz tucano Sérgio Moro.

O pior para os ideólogos do golpe. Os tucanos só despencam. Ninguém mostra interesse em votar nesse pessoal.

No vácuo de Lula, só a extrema direita, através do fascista Jair Bolsonaro cresce. As razões são evidentes.

É o natural sob a crise geral do capitalismo. Aqui e alhures.

Essa tendência aparece nas últimas pesquisas de intenção de votos para Presidente em 2018.

Parte significativa do eleitorado de Lula, caso ele seja impedido de participar das eleições em 2018, migrará para Jair Bolsonaro.

A lógica do povão não é o debate ideológico entre esquerda e direita.

O povão vota por razões muito objetivas.

No caso de Lula, o povão vota por gratidão, reconhecimento e esperança. Gratidão e reconhecimento pelos seus governos, quando o povo brasileiro viveu o melhor período de sua vida. E esperança. Esperança que voltemos a ser a nação que fomos naquele curto espaço de tempo.

As pesquisas evidenciam o que já sabíamos. Não houve por parte do PT ou dos partidos de esquerda, nos governos Lula e Dilma, trabalho de organização e conscientização das classes trabalhadoras para essas defenderem aqueles governos; ou que aqueles governos avançassem no sentido de enfrentar a crise do capitalismo com alternativas ao fel amargo que nessas crises o sistema despeja sobre os trabalhadores. Até mesmo porque se beneficiando e melhorando suas vidas, não o tinham como um governo seu, só seu. A toda hora o próprio Presidente Lula dizia que o Brasil era para todos e que “nunca antes na história do Brasil os empresários e banqueiros ganharam tanto dinheiro”. A mais pura verdade. Portanto, saibam todas e todos, especialmente os de direita: os governos hegemonizados pelo PT não seguiam um Projeto Popular. Lula não foi instrumento de um Projeto Popular e de esquerda, mas artífice de um projeto de conciliação, que deu muito certo enquanto os preços das comoditties permitiram.

As pesquisas de intenção de votos mostram que o desejo de votar em Lula não é em função de ele representar um Projeto Popular de nação. Concluo isso a partir do que os números dizem quando tiram Bolsonaro da eleição, Lula dispara nas intenções de votos. O raciocínio serve para o contrário.

Tirando Lula da disputa, Quem cresce nas intenções de votos? Bolsonaro.

O fascista Bolsonaro, não os tucanos.

Por que o povo brasileiro, mestiço, nada conservador em seus valores, votaria em um aprendiz de fascista como Jair Bolsonaro?

Algumas pistas.

Por seu discurso simplista de resolver o problema da insegurança e da corrupção. Dois dos mais graves e aflitivos problemas de nossa sociedade.

Sem aprofundar a análise das causas desses problemas, Bolsonaro investe em bravatas sem nenhuma condição de na prática amenizar a situação. Para a violência que avança ele apresenta como resposta, mais violência, agora praticada por indivíduos. Substitui o Estado pelo individuo. Atiça a ilusão de alguns de que de arma em punho você consegue combater o crime organizado, o trombadinha da rua, o assaltante profissional. Transfere a responsabilidade do Estado de prover a segurança para o individuo de arma em punho. Seria o caos total.

Na mesma direção, o discurso de combate a corrupção. Ao invés de fortalecer as instituições responsáveis por controlar, detectar e punir o malfeito com o dinheiro público inverte os papeis. Propõe uma espécie de Estado policialesco onde todos seriam culpados até que provassem ser honestos. Seria regredirmos 500 anos na história da humanidade.

Além disso, o discurso de Bolsonaro soa como música aos ouvidos dos conservadores de plantão. A homofobia, o racismo e a misoginia ainda mobilizam, em pleno século XXI, setores importantes da sociedade brasileira.

Aí reside o problema da tucanada jurídica para a condenação de Lula.

É uma questão de cálculo político.

A pergunta que eles estão se fazendo agora é: destruindo Lula terão meios de destruir Bolsonaro com tempo de produzir João Dória ou outro pária?

O Tribunal tucano-jurídico terá responsabilidade crucial de como serão as eleições de 2018.

Só para lembrar. Hitler venceu as eleições de 1933 na Alemanha a partir dos erros de cálculos de liberais, socialdemocratas e comunistas.

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